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  Unir para crescer
Como a Teia Brasil, rede colaborativa criada em Salvador, gera negócios em todo o país para 29 revendas de pequeno porte

Por Virgínia Florenzano (Matéria publicada na Revista Info Canal de março/07)
   

O mercado brasileiro de distribuição deve observar nos próximos anos um crescente movimento de união de empresas com o objetivo de ganhar força - e tamanho - para aproveitar melhor as oportunidades de negócios. É o caso da Teia Brasil, grupo que nasceu oficialmente em agosto de 2005 em Salvador, na Bahia, a partir da junção de integradores que atuam no mercado de pacotes de ERP. No seu primeiro ano de vida, a Teia Brasil contabilizou um faturamento de 70 milhões de reais. O grupo reúne 29 revendas de pequeno e médio portes espalhadas por 14 estados e tem cerca de 800 colaboradores, entre consultores, técnicos e profissionais de vendas. Juntas, essas empresas movimentaram, em 2006, 90 milhões de reais e a previsão para 2007 é que o faturamento seja de 130 milhões de reais, com crescimento entre 15% e 20% e incremento de 50% no volume de negócios.

A Teia Brasil não é uma empresa. Trata-se de uma rede produtiva organizada, que pode associar empresas em regime de consórcio. De acordo com Eduardo Veras, professor da Fundação Dom Cabral, as redes dinâmicas (ou flexíveis) são focadas no crescimento conjunto e na cooperação como base para aumentar a competitividade das empresas integrantes. Uma de suas características é usar a flexibilidade e a agilidade para fazer o mercado avançar.

Segundo Elton Almeida, sócio-diretor da consultoria Help e presidente fundador da Teia Brasil, o objetivo principal da rede é compartilhar conhecimento e negócios entre todos os membros, eliminando a ociosidade de recursos. Mas até chegar ao modelo de atuação ideal foram cerca de oito anos de estudos e discussões. A experiência de dois grupos serviram de exemplo para a Teia Brasil. O primeiro foi o consórcio Brits (Brazilian Information Technology Solutions), cujo objetivo é promover e oferecer produtos e serviços de TI em mercados mundiais de língua portuguesa. O segundo foi o Act-Minds, grupo especializado na exportação de software. "Ganhamos inteligência competitiva e passamos a concorrer com os próprios fabricantes e com a rede de distribuidores. Era a única chance de as empresas de pequeno porte entrarem no mercado com projetos e soluções", diz Catharina Bacelar, sócia-diretora da CSA, integradora maranhense que fatura 990 mil reais por ano e co-fundadora da Teia Brasil. Com a ajuda do processo colaborativo proposto pela Teia Brasil, Catharina viu sua empresa crescer 15% e o volume de projetos dobrar. "Antes não me arriscava a entrar em clientes e em projetos maiores, caso aparecesse uma oportunidade, porque faltava a infra-estrutura necessária para atender bem", afirma Catharina. A Teia Brasil conquistou também a atenção de fabricantes como SAP, Datasul e Microsoft, que oferecem suporte para o atendimento a projetos maiores de imentaçãs sistemas.

     
    Braços em todo o país
   

Atualmente, uma empresa de Recife, por exemplo, pode ter a chance de estar presente num projeto em Curitiba. Isso porque ao identificar uma oportunidade, em qualquer parte do país, a revenda aciona a rede, que vai indicar qual o parceiro mais próximo e apto em termos técnicos, experiência e disponibilidade de recursos para ajudá-lo a atender ao projeto. Assim, a questão da capilaridade é lembrada em primeiro lugar no quesito vantagens da rede. "É como se a minha empresa passasse a ter braços por todo o país e contasse com produtos e serviços que, embora não façam parte do portifólio original, podem ser ofertados por meio de acordos com outros membros", diz Marcos Chamblas, co-fundador da Teia Brasil e diretor-geral da Visimax, integradora de São Paulo. Chamblas utilizou a rede para realizar um projeto nacional para uma indústria de molas para veículos pesados, que precisava de uma solução que permitisse o controle da gestão de estoque de seus representantes. Com 15 anos de experiência no mercado, a Help entrou no projeto com a capacitação e o treinamento dos usuários. De acordo com Chamblas, sua empresa, criada em 1998, é a mais jovem entre os integrantes da Teia. Ele afirma que em dois anos, com a ajuda da rede, cresceu o mesmo que outras empresas desse mercado em uma década e meia de trabalho.

Segundo Paulo César Pires, diretor da Inforgraph, integrador de João Pessoa (PB), a maioria das empresas participantes está na região nordeste. Muito disso se deve ao fato de a região contar com uma a duas revendas por estado e uma maior necessidade de capilaridade, ao contrário do que acontece nas regiões sudeste e sul, onde há uma pulverização maior. Mas outros atrativos pesam no desejo de integradores em se juntar ao grupo. Chamblas, de São Paulo, aderiu à rede porque considera que sua experiência no mercado ainda é pequena perto de empresas com mais tempo de atuação. "Contar com parceiros que podem disponibilizar seu conhe-cimento é um benefício que não tem preço", diz. Outra empresa de São Paulo que aderiu à Teia Brasil foi a FMB, especializada em segurança. Segundo Mauro de Lucca, sócio-diretor da FMB, por conta das oportunidades abertas, a revenda trabalha para ser distribuidora no Brasil dos produtos da Pólo Security, fabricante americano de produtos de segurança.
     
    Código de ética
   
A segunda maior vantagem em participar da rede é a padronização de processos. "Ela permite que todos os integrantes da rede atuem com o mesmo grau de qualidade, evitando riscos no sucesso da operação como um todo", diz Pires, da Inforgraph. Para prestar serviços em conjunto foi preciso estabelecer padrões para cada tipo de ação, como vendas, projetos e consultoria. A estratégia foi desenhada em 2004, quando grupos de trabalho definiram as melhores práticas. Depois veio a capacitação dos colaboradores. Para garantir a integridade da rede, foram definidas uma política comercial, um código de ética e a criação de um comitê gestor, responsável pelo gerenciamento do relacionamento, tanto dos membros em relação à Teia Brasil, quanto dos membros entre si. Cada candidato a integrante deve ser indicado por um membro e passar pela aprovação do comitê. "Quanto mais claras e simples as regras, melhor, porque serão bem entendidas", diz o sócio Elton Almeida.
     
     
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